Pintando o SeteAzul

Com grande chance de ser a 1¬™ vacina aplicada no Brasil, tire as d√ļvidas sobre a Coronavac

Por Mais Ceará em 08/01/2021 às 08:51:31

Veja, abaixo, perguntas e respostas sobre a Coronavac e sobre outras vacinas contra a Covid-19.

Qual a efic√°cia da Coronavac?

O governo paulista afirmou nesta quinta-feira (7) que a taxa de efic√°cia da vacina foi de 78% para os infectados que apresentaram casos leves ou precisaram de atendimento ambulatorial. Para casos graves e moderados, de 100% –ou seja, entre as pessoas vacinadas, nenhuma desenvolveu caso grave da doen√ßa.
Outros países divulgaram uma taxa maior de efic√°cia do mesmo imunizante, como a Turquia, de 91,25%. Segundo especialistas, essa discrep√Ęncia é normal e reflete o grupo no qual a vacina foi testada –no Brasil, em 12,4 mil profissionais de saúde, expostos a uma alta carga viral.

Outras vacinas apresentaram efic√°cia superior. Isso significa que a Coronavac é ruim?

N√£o. Nenhuma vacina tem 100% de efic√°cia, ou seja, isso n√£o significa que quem tomar est√° imunizado –é por isso que uma parcela expressiva da popula√ß√£o precisa ser vacinada, para impedir o vírus de chegar naqueles que foram vacinados mas n√£o desenvolveram imunidade. Em geral, 78% de efic√°cia é considerado por especialistas em epidemias e em imuniza√ß√£o uma excelente taxa, segundo médicos e cientistas ouvidos pela reportagem.

As vacinas da Pfizer (efic√°cia de 95%) e da Moderna (94%) demandam um processo de logística mais complexo, com ultracongeladores, uma vez que elas precisam ser armazenadas em temperaturas extremamente baixas, e s√£o importadas. J√° a Coronavac ser√° fabricada no Brasil, pelo Instituto Butantan, e pode ser armazenada em uma geladeira comum, o que facilita sua distribui√ß√£o pelo país.

Quantas doses s√£o necess√°rias e quantas j√° est√£o disponíveis?

O Instituto Butantan tem hoje em m√£os 10,8 milh√Ķes de doses, segundo o diretor da institui√ß√£o, o que seria suficiente para imunizar 5,4 milh√Ķes de pessoas, uma vez que os estudos clínicos foram feitos com duas doses por pessoa.

O plano inicialmente era aplicá-las com intervalo de duas semanas. Diante da escassez da vacina, no entanto, o governo discute ampliar ao máximo a aplicação da primeira dose, postergando a segunda injeção.
Isso ocorreu em outros países, como o Reino Unido, numa tentativa de garantir mais pessoas com a primeira aplica√ß√£o, mas é condenado por especialistas, que dizem, sobre o caso brasileiro, que a imuniza√ß√£o deve ser feita na popula√ß√£o conforme ocorreu nos estudos clínicos.

Quando começa a vacinação?

O calend√°rio de vacina√ß√£o proposto pelo governo Jo√£o Doria prevê come√ßar a imuniza√ß√£o em S√£o Paulo em 25 de janeiro, data de anivers√°rio da capital paulista, come√ßando por profissionais de saúde, indígenas e quilombolas.

Isso pode sofrer altera√ß√£o, no entanto, porque nesta quinta o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que o governo federal comprar√° 100 milh√Ķes de doses do Instituto Butantan e que "toda a produ√ß√£o do Butantan, todas as vacinas ser√£o a partir desse momento incorporadas ao Plano Nacional de Imuniza√ß√£o, distribuídas de forma equitativa e proporcional a todos os estados."

Assim, se a Coronavac for distribuída nacionalmente pelo governo central, o calend√°rio proposto pelo tucano pode sofrer altera√ß√Ķes. Isso porque o governo Bolsonaro evita estipular uma data específica.

Segundo Pazuello, h√° três cen√°rios. "Na melhor das hipóteses", os primeiros brasileiros ser√£o imunizados em 20 de janeiro, caso o registro da Anvisa saia até l√° e estejam disponíveis os estoques do Butantan e da AstraZeneca. Na chamada hipótese média, o início seria entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro. E, no pior cen√°rio, de 10 de fevereiro a meados de mar√ßo, caso o procedimento de registro e produ√ß√£o tenha "qualquer percal√ßo".

A vacinação começa por quais grupos?

Se a Coronavac for aplicada pelo governo de S√£o Paulo, a vacina√ß√£o come√ßa por profissionais de saúde, indígenas e quilombolas, de acordo com o plano proposto pelo governador Jo√£o Doria. Na sequência, em 8 de fevereiro, ser√£o vacinadas as pessoas com 75 anos ou mais. Uma semana depois, come√ßam as pessoas com idade entre 70 e 74 anos.

Quem tem entre 65 e 69 anos seria vacinado em 22 de fevereiro e o restante das pessoas acima dos 60 anos, a partir de 1¬ļ de mar√ßo.

No plano federal, sem data específica, a vacina√ß√£o deve come√ßar com profissionais da saúde, idosos a partir de 75 anos, popula√ß√£o indígena e quem tem mais de 60 anos e vive viva em asilos ou institui√ß√Ķes psiqui√°tricas. O plano prevê três etapas subsequentes: pessoas de 60 a 74 anos; pessoas com doen√ßas que elevam o risco de agravamento da Covid-19, como as doen√ßas cardiovasculares; e professores, for√ßas de seguran√ßa e salvamento, funcion√°rios do sistema prisional e a popula√ß√£o privada de liberdade.

Quais os próximos passos do registro da Coronavac?

O Butantan pretende entrar com pedido formal de uso emergencial da Coronavac nesta sexta-feira (8). Os dados j√° foram apresentados à Anvisa (Agência Nacional de Vigil√Ęncia Sanit√°ria) nesta quinta, quando o instituto iniciou as tratativas para oficializar o pedido de uso emergencial do imunizante que ir√° produzir. As informa√ß√Ķes foram revisadas na √Āustria pelo Comitê Internacional Independente, que acompanha os ensaios. A expectativa paulista é de que a Anvisa n√£o use todos os dez dias de que disp√Ķe para aprovar a vacina.

Quem for imunizado pode sair sem m√°scaras ou se aglomerar?

N√£o. Isso porque a vacina n√£o é garantia absoluta de que o corpo vai gerar uma resposta imune. A doen√ßa só é controlada quando a sociedade atinge a chamada imunidade de rebanho, onde o vírus n√£o consegue se espalhar de uma pessoa infectada para outras, interrompendo a cadeia de avan√ßo.

Nos EUA, por exemplo, o governo americano j√° afirmou que pode demorar meses para haver um impacto da vacina√ß√£o no crescente número de mortes e contamina√ß√Ķes. No Reino Unido, mesmo com mais de 1 milh√£o de pessoas vacinadas, o comércio voltou a fechar e as aulas foram suspensas para tentar conter um novo avan√ßo da doen√ßa.

Que outros países j√° come√ßaram a vacinar suas popula√ß√Ķes contra a Covid-19 e quais s√£o as vacinas em uso?

O Reino Unido se tornou, no dia 8 de dezembro, a primeira na√ß√£o do mundo a aplicar uma vacina que passou por todas as fases de testes e foi clinicamente autorizada. O imunizante aprovado foi o desenvolvido pela farmacêutica americana Pfizer com a alem√£ BioNTech.

Agora, mais de 40 países em todo o mundo j√° iniciaram suas campanhas de vacina√ß√£o: EUA, Canad√°, Argentina, Chile, México, Costa Rica, √Ārabia Saudita, Emirados √Ārabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Israel, Qatar, Om√£, Isl√Ęndia, Luxemburgo e todos os 27 países membros da Uni√£o Europeia.

Na maioria desses países, a vacina aprovada e em uso é a da Pfizer/BioNTech, que também recebeu sinal verde da OMS. Nos EUA e no Canad√°, a vacina da empresa de biotecnologia americana Moderna também est√° sendo aplicada.

A vacina da Moderna recebeu, na última quarta-feira (6), aprova√ß√£o para uso pela agência europeia, mas n√£o h√°, até o momento, nenhum acordo de compra de doses fechado.

Grande aposta do governo brasileiro, a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford/AstraZeneca recebeu aprova√ß√£o também no Reino Unido, na última semana de dezembro. Além do Reino Unido, a vacina da AstraZeneca também recebeu aprova√ß√£o para uso emergencial na Índia.

O país asi√°tico aprovou para uso emergencial também um imunizante fabricado localmente, a Covaxin, do laboratório Bharat Biotech.

A China aprovou, ainda em junho, uma vacina desenvolvida no país para uso estritamente militar e, em setembro, autorizou o uso emergencial da vacina Coronavac, da empresa Sinovac, para profissionais de saúde.

J√° a Rússia deu aval em agosto para a sua vacina Sputnik V, mas os imunizantes ainda estavam em fases de testes. A Sputnik V é também a escolha da Argentina e da Ucr√Ęnia para imuniza√ß√£o de suas popula√ß√Ķes.

J√° no Oriente Médio, Emirados √Ārabes Unidos e Bahrein est√£o aplicando em sua popula√ß√£o o imunizante da estatal chinesa Sinopharm.

Quantas farmacêuticas j√° divulgaram os dados de efic√°cia, referentes à última fase de estudos, de suas vacinas?

A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca com a Universidade de Oxford tem efic√°cia de 70%, segundo estudo publicado na revista científica Lancet. O imunizante foi o primeiro no mundo a ter os resultados da terceira fase de testes em humanos publicados em uma revista científica.

Os resultados da efic√°cia da Pfizer/BioNTech, de 95%, foram publicados depois, no dia 10 de dezembro, na revista científica New England Journal of Medicine.

No mesmo periódico, o artigo comprovando a efic√°cia de 94,1% e a seguran√ßa da vacina da Moderna foi publicado no último dia do ano de 2020.

Sputnik V (Rússia) e Sinopharm (China) anunciaram dados de efic√°cia, mas n√£o publicaram os dados (92% e 79%, respectivamente).

A vacina Coronavac, fabricada pelo laboratório chinês Sinovac e, no Brasil, produzida pelo Instituto Butantan, teve diferentes efic√°cias reportadas nos ensaios conduzidos na Turquia e no Brasil, de 91% e 78%, respectivamente.

No caso da Turquia, o anúncio foi feito pelo governo, alguns fatores, com o número muito reduzido de participantes no estudo (1.322 pessoas, dez vezes menor do que os 13.000 participantes envolvidos no estudo brasileiro), podem ter influenciado a efic√°cia elevada.

Outras vacinas em fase final de testes, entre elas a belga Janssen (Johnson & Johnson), a indiana Covaxin (Bharat Biotech) e a americana Novavax, devem concluir seus estudos de efic√°cia ainda no primeiro trimestre de 2021.

Todas essas vacinas seguem os protocolos internacionais de segurança? Eles foram mantidos na pandemia?

Sim. Embora o desenvolvimento das vacinas contra Covid-19 tenha ocorrido em um espa√ßo curto de tempo (cerca de oito meses, desde o início das pesquisas pré-clínicas até a conclus√£o de ensaios clínicos de fase 3), todos os protocolos de seguran√ßa foram mantidos.

As pesquisas puderam ser aceleradas, em parte, por plataformas tecnológicas desenvolvidas no passado, onde era necess√°rio somente substituir o agente causador da doen√ßa a que se pretende proteger (no caso das vacinas genéticas da Pfizer e Moderna, era necess√°rio apenas inserir o material genético do Sars-CoV-2), em parte pelo investimento pesado de diversos governos e empresas em todo o mundo para desenvolvimento das vacinas contra Covid-19.

A novidade, impulsionada pelo contexto de pandemia em que o mundo se encontrou em 2020, foi tanto no meio de comunica√ß√£o dos ensaios clínicos das vacinas, muitas vezes divulgados pelas próprias farmacêuticas ou governos, sem antes a publica√ß√£o oficial dos dados em um periódico científico de prestígio, quanto nos procedimentos para aprova√ß√£o e registro das vacinas no mundo.

No caso do Brasil, até 2020, n√£o havia, por parte da Anvisa, a possibilidade de registro para medicamentos e vacinas para uso emergencial no país. A exce√ß√£o foi feita para poder acomodar as vacinas em fase final de testes no país, mas com conclus√£o de estudos e divulga√ß√£o de efic√°cia em outros países onde o imunizante era também testado.

As agências regulatórias da China e da Rússia foram as únicas a fornecer autoriza√ß√£o para uso emergencial de vacinas sem antes a conclus√£o de ensaios ou divulga√ß√£o de dados de efic√°cia, na contram√£o dos protocolos usuais.

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Fonte: Banda B

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