Vai dar certo

Governo Bolsonaro deve adiar plano de derrubar máscaras após ômicron

Por Mais Ceará em 01/12/2021 às 20:56:09

O Ministério da Saúde deve adiar o lan√ßamento de recomenda√ß√Ķes sobre a retirada de m√°scaras ao ar livre. A previs√£o era apresentar um estudo antes do Natal, mas a variante ômicron do Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid, fez a pasta mudar os planos.

A decis√£o sobre desobrigar o uso da prote√ß√£o só deve ser tomada em 2022, pois ainda é preciso ter mais dados sobre os impactos da nova cepa, dizem integrantes do governo.

A publica√ß√£o do estudo sobre as m√°scaras era uma vontade do presidente Jair Bolsonaro (PL), mas foi suspensa para evitar críticas. O documento teria for√ßa simbólica e seria um aceno à base bolsonarista. Os municípios n√£o seriam obrigados a seguir a recomenda√ß√£o do governo federal.

Em 10 de novembro, o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) disse que iria “trabalhar firmemente para ter um Natal sem m√°scara”.

O governador de S√£o Paulo, Jo√£o Doria (PSDB), também reavalia a libera√ß√£o do equipamento de prote√ß√£o. Ele pediu ao comitê científico do governo paulista nova avalia√ß√£o sobre a necessidade do uso da prote√ß√£o em ambientes abertos.

Foto: Nelson Almeida / AFP

Na semana passada, o tucano anunciou que elas n√£o seriam mais obrigatórias a partir do dia 11 de dezembro, caso os índices de casos, interna√ß√Ķes e mortes por Covid-19 seguissem baixando em S√£o Paulo.

Mesmo antes da descoberta da ômicron, especialistas questionavam iniciativas de desestimular a cobran√ßa das m√°scaras.

A chegada da variante colocou o governo Bolsonaro em alerta, mas ainda h√° forte resistência para adotar restri√ß√Ķes mais duras, como o chamado passaporte da vacina para quem entra no Brasil.

A Secretaria da Saúde paulista confirmou nesta quarta-feira (1¬ļ) o terceiro caso da variante ômicron no Brasil. H√° ainda casos suspeitos, sob investiga√ß√£o, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

O governo Bolsonaro vetou o desembarque de viajantes de seis países africanos que registraram casos da variante. O Planalto ainda avalia ampliar a lista, a pedido da Anvisa, para dez na√ß√Ķes sob restri√ß√Ķes.

Na sexta-feira (26), o Ministério da Saúde fez um alerta às secretarias de saúde sobre a nova forma do vírus, potencialmente mais transmissível. No documento, a pasta comandada por Queiroga também refor√ßa medidas de precau√ß√£o.

Entre elas, o uso de m√°scaras, além do distanciamento social, a higieniza√ß√£o das m√£os, a limpeza e a desinfec√ß√£o de ambientes e o isolamento de casos suspeitos e confirmados conforme orienta√ß√Ķes médicas.

prevenção contra covid
Foto: Jonathan Lins/Agência Brasil

“Estas medidas devem ser utilizadas de forma integrada, a fim de controlar a transmiss√£o da Covid-19 e suas variantes, permitindo também a retomada gradual das atividades desenvolvidas pelos v√°rios setores e o retorno seguro do convívio social”, diz a mensagem.

Como revelou a Folha, o governo ignora desde 12 de novembro o pedido da Anvisa de cobrar o certificado de vacinação de quem entra no Brasil.

Uma das barreiras para cobrar o passaporte da vacina é o discurso negacionista de Bolsonaro. Desde o come√ßo da pandemia ele distorce dados e lan√ßa dúvidas sobre a efic√°cia de distanciamento social, vacinas e m√°scaras.

O presidente j√° foi multado pelo governo de S√£o Paulo e do Maranh√£o por desrespeitar a regra de uso de m√°scara, além de promover aglomera√ß√£o em viagens aos estados.

No dia 10 de junho deste ano, Bolsonaro anunciou que Queiroga preparava um parecer sobre desobrigar o uso das m√°scaras. A regra frouxa seria para quem j√° foi vacinado contra a Covid ou j√° se infectou com o coronavírus, disse à época.

O ministro da Saúde, que defendeu o lema “p√°tria de m√°scaras” ao entrar no governo, autorizou a sua equipe a elaborar o estudo.

Queiroga tem modulado o discurso e investido na pauta bolsonarista para se agarrar ao cargo. Em entrevista ao Terça Livre, em agosto, canal investigado por disseminar fake news, o ministro disse ser contra a obrigatoriedade do uso de máscaras.

Em outubro, ele comparou uso de m√°scara e de preservativos. “Preservativos diminuem doen√ßas sexualmente transmissíveis, mas vou fazer uma lei para obrigar as pessoas a us√°-los? Imagina”, disse.

O próprio ministro da Saúde passou a dispensar as m√°scaras em eventos no Pal√°cio do Planalto.
O estudo sobre as máscaras estava praticamente pronto desde outubro, mas o governo ainda aguardava o melhor momento para lançá-lo.

A ideia era recomendar a derrubada do uso obrigatório das m√°scaras com base em taxas de transmissibilidade, vacina√ß√£o e demanda por leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
Outros países também refizeram planos por causa da variante. Na Inglaterra, por exemplo, o premiê, Boris Johnson, determinou a volta do uso obrigatório de m√°scaras em lojas e no transporte público.

Os 27 membros da Uni√£o Europeia, os Estados Unidos e mais uma série de países de diversos continentes suspenderam, na última semana, voos que partem do sul da √Āfrica.

J√° Israel decidiu proibir a entrada de todos os estrangeiros, tornando-se o primeiro país a fechar as fronteiras. Em seguida, o Jap√£o tomou a mesma medida.

Fonte: Banda B

Tags:   Saúde
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