Vai dar certo

Fiocruz recomenda passaporte da vacina para todo o território brasileiro

Por Mais Ceará em 01/10/2021 às 15:51:37

POR MÔNICA BERGAMO – SƃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A Fiocruz divulgarĆ” nesta sexta-feira (1Āŗ) um boletim em que recomendarĆ” a adoĆ§Ć£o do passaporte da vacina contra a Covid-19 em todo o território brasileiro como estratégia para estimular e ampliar a vacinaĆ§Ć£o no país.

“Esta estratégia é central na tentativa de controle de circulaĆ§Ć£o de pessoas nĆ£o vacinadas em espaƧos fechados e com maior concentraĆ§Ć£o de pessoas, para reduzir a transmissĆ£o da Covid-19 principalmente entre indivíduos que nĆ£o possuem sintomas”, diz o boletim do Observatório Fiocruz Covid-19.

O passaporte da vacina jĆ” é exigido em espaƧos públicos em ao menos 249 municípios brasileiros. O documento, lanƧado pelo Ministério da Saúde hĆ” menos de um mês, teve sua exigência criticada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas é cobrado em ao menos 4,5% das cidades do país.

Vacinas da Fiocruz contra a Covid-19 chegam ao Centro de Medicamentos do ParanĆ” na madrugada deste domingo (24). Foto: Gilson Abreu/AEN

Em junho, Bolsonaro disse que vetaria qualquer projeto de lei aprovado pelo Congresso que criasse um passaporte da imunizaĆ§Ć£o. “A vacina vai ser obrigatória no Brasil? NĆ£o tem cabimento”, disse na ocasiĆ£o.

Os pesquisadores da Fiocruz responsĆ”veis pelo boletim, no entanto, destacam a necessidade de diretrizes em nível nacional sobre o passaporte de vacinas -elas poderiam evitar a judicializaĆ§Ć£o do tema e um cenĆ”rio de instabilidade que comprometa os ganhos adquiridos com a ampliaĆ§Ć£o da cobertura vacinal.

“É preciso avanƧar no processo de vacinaĆ§Ć£o e de reduĆ§Ć£o dos casos, internaƧƵes e óbitos, sendo necessĆ”rio que isto ocorra de maneira conjunta e coordenada para todo o país”, seguem.

“A reduĆ§Ć£o do impacto da pandemia de modo mais duradouro somente serĆ” alcanƧada com a intensificaĆ§Ć£o da campanha de vacinaĆ§Ć£o, a adequaĆ§Ć£o das prĆ”ticas de vigilĆ¢ncia em saúde, reforƧo da atenĆ§Ć£o primĆ”ria à saúde, além do amplo emprego de medidas de proteĆ§Ć£o individual, como o uso de mĆ”scaras e o distanciamento social”, dizem os pesquisadores da Fiocruz.

Nesta semana, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, derrubou decisĆ£o do Tribunal de JustiƧa do Rio de Janeiro e determinou a retomada da validade do decreto da capital fluminense que estabeleceu a exigência de comprovante de vacinaĆ§Ć£o para acesso a lugares públicos e privados no município.

Fux nĆ£o se manifestou sobre a constitucionalidade do chamado passaporte de vacinaĆ§Ć£o. Ele afirmou, porém, que a decisĆ£o da corte do Rio deve ser suspendida porque nĆ£o observou a jurisprudência do STF de que gestores locais têm autonomia para adotar medidas que visam conter a pandemia da Covid-19.

Ao defender a adoĆ§Ć£o do passaporte de vacinas, a Fiocruz cita o princípio da saúde pública de que “a proteĆ§Ć£o de uns depende da proteĆ§Ć£o de outros”.

O boletim desta sexta ainda afirma que o número de casos graves do novo coronavírus que resultam em internaƧƵes e óbitos diminuiu consecutivamente no último mês -contudo, em um cenĆ”rio de novas variantes, as taxas de incidência da Covid-19 e a curva de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) merecem atenĆ§Ć£o.

O Observatório Fiocruz Covid-19 analisou os dados da epidemia relativos ao período entre os dias 12 e 25 de setembro deste ano. De acordo com o boletim, hĆ” reduĆ§Ć£o nos números absolutos de internaƧƵes (-27,7%) e óbitos (-42,6%). Os indicadores também apontam o grupo de idosos como o mais expressivo entre os casos graves e mortes, respondendo por 57% das internaƧƵes e 79% dos óbitos.

“Pela primeira vez desde o início da vacinaĆ§Ć£o entre adultos, todos os indicadores (internaƧƵes, internaƧƵes em UTI e óbitos) passam a ter a média e a mediana acima de 60 anos”, afirma o documento, que reforƧa que, apesar do fim das restriƧƵes sanitĆ”rias por parte de governos estaduais e municipais, o momento ainda exige cuidado.

Outro ponto destacado pela Fiocruz foi a sucessĆ£o de problemas de confirmaĆ§Ć£o, notificaĆ§Ć£o, digitaĆ§Ć£o e disponibilizaĆ§Ć£o dos dados sobre casos confirmados e óbitos em decorrência da Covid-19 nas últimas semanas.

Foram registrados uma média de 16.100 casos e 520 óbitos de 12 a 25 de setembro. Esses níveis, segundo a Fiocruz, ainda sĆ£o altos e geram preocupaĆ§Ć£o, diante da oscilaĆ§Ć£o dos níveis de positividade dos testes.

“Ao longo de agosto foi aferida uma reduĆ§Ć£o da velocidade dos registros, tanto de casos confirmados quanto de óbitos, acompanhada de uma forte oscilaĆ§Ć£o que nĆ£o se justifica pela epidemiologia da doenƧa”, diz o boletim.

“O Observatório Covid-19 Fiocruz, portanto, adverte para interpretaƧƵes equivocadas que essas variaƧƵes podem induzir e, ao mesmo tempo, reforƧa a necessidade de se aprimorar o sistema de vigilĆ¢ncia epidemiológica, principalmente no contexto da pandemia”, segue.

A taxa de ocupaĆ§Ć£o de leitos Covid-19 adulto mostra que 25 unidades da FederaĆ§Ć£o estĆ£o fora da zona de alerta, com taxas inferiores a 60%. Permanecem na zona de alerta intermediĆ”rio o estado do Espírito Santo, com elevaĆ§Ć£o das taxas de ocupaĆ§Ć£o, e o Distrito Federal, com elevaĆ§Ć£o das taxas de ocupaĆ§Ć£o como resultado da reduĆ§Ć£o do número de leitos.

JĆ” a anĆ”lise dos números de síndrome respiratória aguda grave no país observa que mesmo com a reduĆ§Ć£o de incidência nas semanas anteriores, a grande maioria dos estados encontra-se ainda em níveis altos ou muito altos, acima de um a cinco casos por cem mil habitantes.

Rio de Janeiro, SĆ£o Paulo, Minas Gerais, ParanĆ”, Santa Catarina, GoiĆ”s e Distrito Federal têm taxas ainda mais elevadas, com indíces de cinco a dez casos por 100 mil habitantes.

Fonte: Banda B

Tags:   Saúde
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