Vai dar certo

Veja o que já foi demonstrado pela ciência sobre a falta de eficácia da cloroquina contra Covid-19

Por Mais Ceará em 09/06/2021 às 15:36:29

A Conitec é um órg√£o consultivo da Saúde respons√°vel pela an√°lise da inclus√£o de medicamentos e protocolos de tratamentos no SUS (Sistema Único de Saúde).

A hidroxicloroquina para tratamento de Covid-19 foi a droga mais estudada desde o início da pandemia, com 268 pesquisas científicas registradas em 55 países, mas sua efic√°cia n√£o foi comprovada nem para tratamento de pacientes internados nem como medida profil√°tica, de acordo com as pesquisas científicas que utilizam o chamado padr√£o-ouro do método científico.

Esses estudos s√£o do tipo randomizados, duplo-cego e com grupo controle, ou seja, os volunt√°rios s√£o distribuídos de forma aleatória em diferentes grupos, uma parte recebe o medicamento e a outra, uma subst√Ęncia placebo, que é inócua no organismo, e nem os pacientes nem parte dos pesquisadores sabem quem est√° recebendo o quê –todas essas regras permitem eliminar vieses e avaliar de maneira direta a associa√ß√£o entre uso do f√°rmaco e o desfecho clínico (melhora ou piora do paciente).

Um artigo publicado em junho de 2020 no periódico científico NEJM (The New England Journal of Medicine), um dos mais importantes da √°rea médica, apontou que a hidroxicloroquina n√£o tem efic√°cia como profilaxia (preven√ß√£o da infec√ß√£o) após exposi√ß√£o pelo Sars-CoV-2. O estudo foi o primeiro ensaio clínico controlado publicado da droga, com 821 pessoas no Canad√° e Estados Unidos.

Seu uso para redu√ß√£o de mortes ou de intuba√ß√£o também foi refutado em estudo publicado na mesma NEJM. A pesquisa foi do tipo observacional (ou seja, os pesquisadores só observam os resultados de vida real, sem fazer interven√ß√Ķes) com 1.376 pacientes que tinham sido tratados no Hospital Presbiteriano de Nova York.

Outro estudo também avaliou a mortalidade por Covid-19 entre pessoas medicadas com hidroxicloroquina associada ou n√£o à azitromicina e n√£o encontrou redu√ß√£o de mortalidade. A pesquisa, com participa√ß√£o de 1.438 pacientes, ainda apontou para maior ocorrência de arritmias e outras anormalidades cardíacas naqueles indivíduos que tomaram a combina√ß√£o de medicamentos.

O maior estudo brasileiro até ent√£o, a Coaliz√£o Covid-19, também mostrou que a hidroxicloroquina n√£o tem efic√°cia para pacientes com sintomas leves ou moderados e n√£o promoveu melhoria na evolu√ß√£o clínica deles. A pesquisa foi liderada pelos principais hospitais brasileiros (Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, Oswaldo Cruz e Beneficiência Portuguesa), pelo Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e pela Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet).

Apesar de um estudo global com dados de 96 mil pessoas internadas publicado na The Lancet e que apontava para maior risco de morte associado à hidroxicloroquina ter sido retratado pela revista devido a inconsistências nos dados hospitalares, o acúmulo de evidências até ent√£o j√° era suficiente para comprovar que o seu uso n√£o traz benefícios no tratamento da Covid-19.

Entidades médicas em todo o mundo, incluindo a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), recomendaram abandonar o medicamento, ainda em maio de 2020.

O Instituto Nacional de Alergias e Doen√ßas Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês) dos EUA contraindicou o uso da cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina para tratamento da Covid-19 j√° em abril de 2020. A nota teve o apoio de 13 entidades, entre elas o CDC (Centro de Controle e Preven√ß√Ķes de Doen√ßas), principal órg√£o de saúde norte-americano.

Posteriormente, em julho do mesmo ano, a FDA, agência regulatória de medicamentos no país, publicou uma nota que citava preocupa√ß√£o quanto ao uso da hidroxicloroquina fora de ambiente hospitalar para tratamento de casos leves ou profil√°ticos e como seu uso estava associado a um risco elevado de problemas cardíacos.

A OMS (Organiza√ß√£o Mundial da Saúde) interrompeu os estudos para avaliar a hidroxicloroquina para tratamento da Covid ainda em junho de 2020. Segundo o comitê independente que deu o parecer para encerrar a pesquisa, a droga n√£o foi eficaz na redu√ß√£o da mortalidade.

Mesmo com todas as evidências e contraindica√ß√£o dos principais órg√£os e entidades do mundo, o Ministério da Saúde só publicou em maio de 2021 um parecer, avaliado pela Conitec, contraindicando cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, entre outros medicamentos, para tratamento de pacientes hospitalizados com Covid-19.

Fonte: Banda B

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