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Pesquisadores identificam uma nova possível variante do coronavírus em BH

Por Mais Ceará em 08/04/2021 às 18:27:47

 

A nova forma encontrada em BH contém 18 mutaƧƵes distintas, duas delas na regiĆ£o da proteína S do Spike (ou espícula, usada pelo vírus para invadir as células), mas ela foi identificada em apenas dois genomas, o que nĆ£o a torna, até o momento, uma nova linhagem.

No entanto, sua caracterizaĆ§Ć£o até o momento, com duas mudanƧas em regiƵes que sofreram mutaƧƵes no passado e originaram novas linhagens do vírus, como a inglesa (B.1.1.7) e a sul-africana (B.1.351), acenderam um alerta para os pesquisadores, que afirmam que é importante continuar o monitoramento desta nova cepa.

“Esses dois genomas, apesar de apresentarem mutaƧƵes em comum com as variantes jĆ” circulantes em Belo Horizonte, têm também novas mutaƧƵes ocorrendo nas mesmas regiƵes do vírus”, explica Renato Santana, professor da UFMG e principal autor da pesquisa.

No estudo, foram sequenciadas 85 amostras aleatórias do vírus da regiĆ£o metropolitana de Belo Horizonte, coletadas entre outubro de 2020 e 15 de marƧo de 2021. A anĆ”lise dos genomas revelou a predominĆ¢ncia na regiĆ£o da variante brasileira P.2 (48,2%), seguida pela também brasileira P.1 (35,3%), a linhagem ancestral brasileira B.1.1.28 (9,4%) e a B.1.1.7, a variante inglesa (3,53%). Outras sequências de menor relevĆ¢ncia também foram identificadas em amostras isoladas.

As duas amostras com as mutaƧƵes até entĆ£o desconhecidas foram coletadas nos dias 27 e 28 de fevereiro. Agora, os cientistas querem voltar às duas regiƵes onde as amostras foram encontradas para fazer novas coletas e monitorar se outras pessoas jĆ” apresentam a mesma forma do vírus.

Embora a frequência desse genoma ainda seja baixa na regiĆ£o –cerca de 2%–, é importante destacar como as mutaƧƵes ocorridas até entĆ£o nas novas variantes que surgiram no Brasil e no mundo trouxeram vantagens adaptativas ao vírus, como maior transmissibilidade e a capacidade de bloquear a aĆ§Ć£o de anticorpos produzidos contra as formas ancestrais do Sars-CoV-2.

O Brasil é hoje um dos países com o maior descontrole da pandemia e, consequentemente, com o melhor cenĆ”rio para o surgimento de novas variantes, uma vez que, quanto maior a circulaĆ§Ć£o do vírus, mais mutaƧƵes aleatórias podem acontecer a cada vez que ele invade e replica seu material genético nas células.

Quando essas mutaƧƵes aleatórias surgem, algumas delas podem desaparecer naturalmente, mas aquelas que trazem algum benefício, como maior transmissibilidade, podem prevalecer.

Para Santana, o alto custo e tempo gasto para fazer o sequenciamento genético das variantes em circulaĆ§Ć£o dificultam a identificaĆ§Ć£o das novas formas do vírus na mesma velocidade em que estĆ£o surgindo, por isso é necessĆ”rio usar outras ferramentas para auxiliar a pesquisa por novas variantes.

“Quando jĆ” temos o conhecimento de quais linhagens existem em uma determinada regiĆ£o, podemos fazer a anĆ”lise de um grande número de amostras com PCR, e nĆ£o sequenciamento, dando um panorama em maior quantidade das formas ali presentes”, diz.

O projeto de monitoramento do Hermes Pardini de novas formas do vírus, inicialmente desenvolvido para identificar a presenƧa das variantes B.1.1.7, P.1 e P.2, vem sendo feito nos últimos meses em todo o país.

Por apresentar uma mutaĆ§Ć£o em uma parte do vírus que é alvo dos exames RT-PCR, o resultado do teste antes podia dar falso negativo quando, por exemplo, a pessoa estava infectada com a variante inglesa. “Buscamos na base de dados da rede [Pardini] cada paciente com resultado positivo para o vírus, mas que teve essa "falha" na regiĆ£o com a mutaĆ§Ć£o, como possíveis portadores dessas variantes, e a partir daí mapeamos a presenƧa dessas formas nos estados brasileiros”, afirma Alessandro Ferreira, vice-presidente do grupo Pardini.

Os dados encontrados pelos pesquisadores foram compartilhados com o Ministério da Ciência e Tecnologia, com as secretarias municipal e estadual de Saúde e com o Ministério da Saúde. “A vigilĆ¢ncia genômica é extremamente importante porque novas variantes podem surgir com características que podem alterar tanto a gravidade da Covid quanto a aĆ§Ć£o das vacinas e de anticorpos neutralizantes. Por ora, temos que seguir monitorando”, diz Ferreira.

Fonte: Banda B

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