Pintando o SeteAzul

Pfizer quer armazenar vacinas em freezer comum e fará testes com grávidas no Brasil

Por Mais Ceará em 23/03/2021 às 10:54:29

“Vai ser muito importante para armazenamento nos pontos finais de vacina√ß√£o”, disse Díez ao Estad√£o. Ela contou que a Pfizer far√° testes no Brasil sobre a efic√°cia da vacina em mulheres gr√°vidas. Ser√£o aplicadas doses em 350 volunt√°rias.

A companhia também avalia, em outros países, os resultados em crian√ßas e pacientes imunodeprimidos. Díez assumiu o comando da farmacêutica no País em 1¬ļ de fevereiro deste ano. O Ministério da Saúde recusou três ofertas da empresa, que esperava entregar 4 milh√Ķes de doses no primeiro trimestre, suficientes para imunizar 2 milh√Ķes de pessoas. “Teria sido melhor se chegasse antes, sim, mas a legisla√ß√£o n√£o permitia”, destacou Díez, que antes chefiava a unidade da Pfizer no Chile.

A espanhola observou que h√° espa√ßo para o governo negociar com a farmacêutica a entrega de mais doses, além das 100 milh√Ķes j√° adquiridas, no contrato assinado no último dia 19. “Vai depender da capacidade de produ√ß√£o e do interesse do governo”, disse ela.

Para negar por meses a compra da Pfizer, o presidente Jair Bolsonaro classificou como “abusiva” a exigência da empresa, segundo a qual a legisla√ß√£o deveria ser alterada para o governo assumir riscos e custos por eventuais efeitos adversos das vacinas. Trata-se da mesma cl√°usula colocada por fornecedoras do consórcio Covax Facility, entre outras companhias, como a Janssen.

A presidente da Pfizer no Brasil, a espanhola Marta Díez – Divulga√ß√£o

“L√° no contrato da Pfizer est√° bem claro: "N√£o nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema de você"”, afirmou o presidente, em 17 de dezembro do ano passado. Como revelou o Estad√£o, um dispositivo para destravar a compra foi inserido em minuta da medida provisória 1026/2021, com respaldo da Saúde, mas acabou excluído da vers√£o final, publicada em janeiro.

Pelo pedido feito à Anvisa, a vacina poderia ser armazenada por 20 dias sob nova temperatura. O aval j√° foi dado pelo FDA, a agência de medicamentos dos Estados Unidos. Antes, a vacina seria armazenada apenas entre 60 a 80 graus negativos. Nestas condi√ß√Ķes, a validade é de 6 meses. A baixíssima temperatura era apontada como barreira pelo governo Bolsonaro para a compra.

A Pfizer também desenhou uma caixa que conserva a vacina em cerca de 70 graus negativos por um mês. Após deixar as baixas temperaturas, o imunizante ainda pode ser mantido por cinco dias em refrigeradores comuns, de 2 a 8 graus, j√° usados na rede do SUS. A vacina da Pfizer tem efic√°cia global de 95%. Na popula√ß√£o acima de 65, alcan√ßa 94%, segundo avaliou a Anvisa.

Para garantir esse resultado s√£o aplicadas duas doses, em intervalo de 21 dias. A empresa afirma que, neste momento, n√£o negocia a venda do produto com prefeitos, governadores e iniciativa privada. “É uma quest√£o de saúde pública, para evitar que as na√ß√Ķes, regi√Ķes mais ricas, concentrem as vacinas”, argumentou Díez.

Como foi a negociação com o governo brasileiro para a venda da vacina?

A negocia√ß√£o foi muito longa. Eu cheguei ao Brasil em fevereiro. Mas a equipe j√° negociava desde junho do ano passado. A legisla√ß√£o teve que mudar para, efetivamente, fechar o contrato de 100 milh√Ķes de doses. A oferta foi aumentada. Era de 70 milh√Ķes. Melhoramos a quantidade e calend√°rio de doses. Entendendo a urgência no Brasil, o calend√°rio que temos agora é muito bom.

Há possibilidade de o Brasil comprar mais doses? A Pfizer teria produção para ampliar essa oferta?

O contrato é de 100 milh√Ķes de doses. Mas outros países fecharam contratos e depois fizeram aditivos. Essa é uma possibilidade. O governo, pelo momento, n√£o solicitou. É possível discutir no futuro. As 100 milh√Ķes de doses j√° incluem o "extra" que pedimos ao Brasil. A produ√ß√£o é bem din√Ęmica. Come√ßamos o ano passado pensando que iríamos produzir 1,3 bilh√£o de doses (para todo o planeta). H√° dois meses, j√° dissemos que poderemos chegar a 2 bilh√Ķes. A perspectiva é que talvez possamos ter mais. Ent√£o, vai depender muito de quando o governo pedir, se necessitar de mais doses. Vamos ver se, efetivamente, poderemos ter capacidade de entregar mais doses. Vai depender da capacidade e do interesse do governo.

A vacina da Pfizer é eficaz para as varia√ß√Ķes do vírus? H√° estudos para ampliar o público-alvo?

A Pfizer publicou um estudo, recentemente, e mostrou que a vacina consegue neutralizar os vírus das três variantes (da √Āfrica do Sul, Reino Unido e do Brasil). Estamos otimistas. É algo que todos estavam interessados em saber. A companhia tem um estudo principal, que j√° acabou, e fazemos estudos com as variantes. Também h√° outros. V√£o come√ßar os testes com crian√ßas, mulheres gr√°vidas e pessoas com sistemas imunodeprimidos. O estudo com mulheres gr√°vidas ser√° também feito no Brasil.

O Brasil precisa fazer adapta√ß√Ķes na rede de armazenamento do SUS, na logística, ou est√° preparado para receber uma vacina que demanda temperatura mais baixa de armazenamento?

Depende muito de como o governo vai querer organizar a campanha de vacina√ß√£o. A companhia desenhou uma caixa isotérmica, onde v√£o cerca de 5 mil doses, e mantém temperatura de 70 graus negativos. Podemos usar durante 30 dias essa caixa, com a temperatura ambiente abaixo de 25 graus. Outros governos colocaram refrigeradores especiais (também em baixíssima temperatura), muito usados em laboratórios de amostras médicas. Também estamos esperando para trabalhar com a Anvisa nessa melhora de condi√ß√Ķes de armazenamento (em freezer comum). Vai ser muito importante para armazenamento nos pontos finais de vacina√ß√£o.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Pazuello afirmavam que eram abusivas as exigências da Pfizer para a venda da vacina. Uma delas, por exemplo, previa que o governo assumiria riscos de efeitos adversos. É uma cl√°usula que d√° margem para ser considerada abusiva ou faz sentido na pandemia?

Faz sentido no contexto da pandemia. Temos outras vacinas sem essas cl√°usulas, que n√£o est√£o no contexto de pandemia. Tiveram um estudo clínico muito longo. H√° todo um sistema que permite que estes contratos n√£o incluam essas cl√°usulas. Agora é uma situa√ß√£o diferente. N√£o é exclusivo da Pfizer. Todas as companhias, em negocia√ß√Ķes com o governo, têm de fazer o governo entender que tem de compartilhar o risco.

O governo pode ter exagerado? Fez acusa√ß√Ķes, até em forma de piadas, sobre virar jacaré. Como a Pfizer recebeu esse tipo de afirma√ß√£o?

Na pandemia é muito difícil julgar o que est√° bem ou mal. Temos de olhar para frente. Temos um contrato, vacinas que v√£o come√ßar a chegar. Teria sido melhor se chegasse antes, sim, mas a legisla√ß√£o n√£o permitia.

Existe alguma possibilidade de a Pfizer, em 2021, vender vacinas para prefeitos, governadores e até para a iniciativa privada?

Hoje a companhia é clara: a preferência, em todos os países, é o governo central. É uma quest√£o de saúde pública, para evitar que as na√ß√Ķes, regi√Ķes mais ricas, concentrem as vacinas. Quando houver mais vacinas no mundo, um excesso, esperamos que em algum momento isso ocorra. Poderemos come√ßar a falar se outras entidades, regi√Ķes e até se a iniciativa privada poder√° comprar. Isso n√£o depende só da Pfizer. Depende de quais outras companhias poder√£o ter vacinas aprovadas e produ√ß√£o. Se for só a Pfizer, em 2021, asseguro que n√£o (haver√° condi√ß√£o de ampliar a venda).

Fonte: Banda B

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