Pintando o SeteAzul

Sintomas leves após vacina contra Covid-19 mostram que sistema imunológico está trabalhando

Por Mais Ceará em 28/01/2021 às 20:00:31

Nas transmissƵes ao vivo pela internet e em encontros com seus apoiadores em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) costuma enfatizar os efeitos adversos das vacinas como algo negativo, o que pode incitar medo dos imunizantes nas pessoas que o acompanham.

Mas a verdade é que, apesar do desconforto da picada da agulha que pode amedrontar alguns, as vacinas contra a Covid-19 que jĆ” foram liberadas para uso emergencial em diversos países sĆ£o seguras e geram muito poucos efeitos colaterais em geral.

“Aspirina e novalgina, remédios vendidos sem a necessidade de receita médica, possuem efeitos colaterais.

Cloroquina e azitromicina também. Sempre haverĆ” efeito adverso, por isso é importante haver monitoramento e serviƧo médico disponível para atendimento”, diz Bonorino.

As vacinas carregam um antígeno, que pode ser o vírus inteiro em uma forma inofensiva ou partes dele. Esse antígeno nĆ£o causa infecĆ§Ć£o, mas ativa o sistema imunológico para criar uma defesa contra o patógeno, explica a imunologista.

Ao penetrar o tecido muscular, a vacina faz com que o corpo inicie um processo de gerar as células imunológicas com a funĆ§Ć£o específica de combater aquele invasor. Em um primeiro momento, num período de cerca de uma semana, essas células se multiplicam muito. Nessa fase, inchaƧo nos linfonodos (ínguas) podem ser percebidos pelo acúmulo de células imunológicas.

No Brasil, a vacinaĆ§Ć£o comeƧou neste mês com duas vacinas diferentes: a criada pela farmacêuitica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, distribuída pela FundaĆ§Ć£o Oswaldo Cruz (Fiocruz), e a vacina Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac, fabricada e distribuída pelo Instituto Butantan.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Na pesquisa com a vacina da AstraZeneca/Oxford, cerca de 80% dos 552 participantes analisados tiveram reaƧƵes locais (como dor ou inchaƧo onde a vacina foi aplicada). Um número próximo de 80% dos voluntĆ”rios também relatou reaƧƵes sistêmicas, como dor de cabeƧa e febre.

O estudo, publicado em novembro de 2020 na revista científica The Lancet, mostra ainda que as reaƧƵes foram um pouco menos frequentes nas pessoas mais velhas, com mais de 56 anos de idade.

A vacina Coronavac apresentou ainda menos efeitos adversos no estudo conduzido pelo Butantan com mais de 9.000 participantes. Segundo dados apresentados pela instituiĆ§Ć£o no início de janeiro, cerca de 40% dos participantes relataram dor no local da injeĆ§Ć£o –inchaƧo foi registrado em menos de 5% dos voluntĆ”rios.

Aproximadamente 25% dos vacinados no estudo disseram ter tido dor de cabeƧa, mas um número semelhante de voluntĆ”rios do grupo que recebeu o placebo (substĆ¢ncia sem efeito) disse ter experimentado o mesmo sintoma, o que nĆ£o deixa claro se essa reaĆ§Ć£o sistêmica foi desencadeada pela vacina.

Efeitos adversos semelhantes teve a vacina criada pela farmacêutica americana Pfizer e pela empresa alemĆ£ de biotecnologia BioNTech, que também é negociada pelo governo federal para distribuiĆ§Ć£o no país.

Segundo um relatório entregue pela Pfizer à agência regulatória dos Estados Unidos (FDA), 66% dos participantes do estudo tiveram dor no local da injeĆ§Ć£o após a segunda dose do imunizante. Foram registradas também reaƧƵes como fadiga (59% dos voluntĆ”rios), dor de cabeƧa (52%) e febre (16%). A vacina foi testada em mais de 40 mil pessoas.

Foto: Agência Brasil

Esses estudos nĆ£o podem ser comparados diretamente entre si, porque cada um foi realizado com metodologias diferentes e em populaƧƵes diferentes, mas os resultados de todos eles confirmam a seguranƧa dos imunizantes, segundo especialistas.

Logo no início da vacinaĆ§Ć£o com o imunizante da Pfizer/BioNTech no Reino Unido, duas reaƧƵes alérgicas foram registradas pela agência regulatória do país (MHRA). ReaƧƵes semelhantes também foram registradas após a vacinaĆ§Ć£o ser iniciada nos Estados Unidos.

As autoridades de saúde passaram a recomendar que pessoas com histórico de alergias mais graves nĆ£o recebessem a vacina, embora os eventos sejam extremamente raros quando se olha para o número de doses jĆ” distribuídas. Somente no Reino Unido, mais de 7,5 milhƵes de pessoas foram vacinadas até a quarta-feira (27), a maior parte delas com o imunizante da Pfizer/BioNTech.

No caso da Coronavac, reaƧƵes alérgicas foram registradas em apenas 0,3% dos participantes.

Para pessoas que estĆ£o com sintomas de gripe ou Covid-19, a imunologista Cristina Bonorino diz que a vacina nĆ£o pode agravar o quadro, mas o recomendado nesse caso é aguardar alguns dias para ir até o centro de vacinaĆ§Ć£o. “A pessoa pode confundir os sintomas de uma infecĆ§Ć£o com as reaƧƵes à vacina, e ainda tem o risco de transmitir a doenƧa para outros que forem ao mesmo local para se vacinar”, diz.

Fonte: Banda B

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