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Anticorpos contra Covid-19 continuam em alta 5 meses após infecção, diz novo estudo

Por Mais Ceará em 28/10/2020 às 20:34:23

O método usado para detec√ß√£o de anticorpos tinha elevada sensibilidade, superior a 90%, e especificidade de 100%.

Com os dados das mais de 30 mil pessoas em m√£os, os pesquisadores verificaram que a maioria dos infectados com a Covid-19 desenvolveu níveis moderados ou altos de anticorpos. O mesmo j√° havia sido apontado por pesquisas anteriores.

Como nem todos os pacientes tinham confirma√ß√£o do novo coronavírus por testes PCR (considerado o padr√£o-ouro para detec√ß√£o da doen√ßa), os pesquisadores fizeram uma segunda e uma terceira an√°lises com 568 pessoas com confima√ß√£o do vírus por PCR e 2.347 pessoas que se autodeclararam PCR positivo para o novo coronavírus.

Os resultados apontaram que mais de 99% e 95% desses subgrupos, respectivamente, apresentavam anticorpos contra a Covid-19.

"Portanto, a parcela de pessoas que n√£o tem seroconvers√£o [produ√ß√£o de anticorpos] é baixa, apesar desses indivíduos existirem", afirmam os autores.

Finalmente, os pesquisadores acompanharam 121 pacientes para verificar os níveis de anticorpos com o passar do tempo. Essas pessoas haviam feito testes sorológicos aproximadamente no 30¬ļ dia após o início dos sintomas. A segunda e terceira verifica√ß√Ķes do nível de anticorpos foram feitas, respectivamente, cerca de 82 e 148 dias depois do aparecimento dos sintomas.

Os níveis de anticorpos, segundo os cientistas, permanecem est√°veis por pelo menos três meses, com declínios modestos após cinco meses.

"Nossos dados revelam que indivíduos que se recuperaram de quadros leve de Covid-19 possuem resposta de anticorpos relativamente robusta à proteína spike, o que se correlaciona significativamente com a neutraliza√ß√£o do Sars-CoV-2", dizem os autores. O plano agora é continuar acompanhando esses pacientes.

A pesquisa n√£o indica de modo conclusivo que os anticorpos encontrados protegem contra a reinfec√ß√£o, mas os autores dizem crer que é "muito prov√°vel que eles diminuam as chances de reinfe√ß√£o e possam atenuar a doen√ßa em casos de infec√ß√£o".

Contestado por especialistas, o estudo do Imperial College de Londres observou 17.576 pessoas com anticorpos IgG detectados por testes r√°pidos (menos precisos do que o método usado no estudo publicado na Science). Comparando as três fases da pesquisa, houve uma queda na taxa de anticorpos de 26,5%.

Os autores afirmaram, inclusive, que essa queda poderia estar relacionada ao aumento de novos casos de coronavírus no Reino Unido a partir de setembro.

O estudo, porém, tinha diversas limita√ß√Ķes além da precis√£o do teste usado. A primeira, relatada pelos próprios autores, consiste no desenho do estudo: foram selecionadas amostras da popula√ß√£o aleatórias e n√£o sobrepostas, isto é, n√£o houve um monitoramento da queda nos anticorpos em popula√ß√Ķes idênticas entre as três fases. Os autores também afirmam ainda que a import√Ęncia dos anticorpos tanto para prote√ß√£o quanto para possibilidade de reinfec√ß√£o n√£o est√° muito clara.

Além disso, é normal que o nível de anticorpos caia depois de o organismo de uma pessoa superar uma infec√ß√£o. Ainda assim, as células do sistema imune carregam uma memória do vírus e s√£o capazes de produzir novos anticorpos quando for preciso.

Dados de estudos em macacos sugerem que mesmo níveis baixos de anticorpos podem prevenir casos graves de doen√ßa, mesmo que n√£o impe√ßam uma reinfec√ß√£o.

Algumas poucas pessoas podem n√£o produzir anticorpos, mas mesmo essas pessoas podem ter células imunes chamadas células T, que podem identificar e destruir o vírus. A maioria das pessoas infectadas com o coronavírus desenvolve respostas celulares duradouras, segundo estudos recentes.

Segundo Raquel Stucchi, pesquisadora da Unicamp e consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a diferen√ßa de metodologias n√£o permite uma compara√ß√£o direta entre o estudo de Mount Sinai e o do Imperial College. Ela aponta, porém, a necessidade de mais estudos que investiguem os anticorpos contra diferentes antígenos do vírus e o papel de cada um na evolu√ß√£o da doen√ßa e na prote√ß√£o posterior.

A divergência dos estudos mostra que ainda sabemos pouco sobre a dura√ß√£o da prote√ß√£o contra uma possível reinfec√ß√£o e sobre os anticorpos contra a Covid-19.

Por isso, Stuchhi destaca que é importante que mesmo quem j√° teve a doen√ßa mantenha as medidas de prote√ß√£o, como uso m√°scara, distanciamento social e higieniza√ß√£o das m√£os.

"Ainda n√£o temos conhecimento suficiente para falar que a doen√ßa confere prote√ß√£o posterior ou n√£o. O significado pr√°tico do novo estudo nós ainda n√£o sabemos, mas ele traz alento."

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Fonte: Banda B

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