Pintando o SeteAzul

Estudo indica como vírus se espalha em uma sala de aula

Por Mais Ceará em 21/10/2020 às 15:34:30

Em meio a incertezas em todo o mundo sobre o risco de reabrir escolas, um estudo publicado ontem indicou o caminho da contamina√ß√£o em uma sala de aula. Por simula√ß√£o computacional, a pesquisa apontou que, mesmo com dist√Ęncia de mais de 2 metros entre os estudantes, partículas minúsculas suspensas no ar podem circular entre eles. Medidas como abrir janelas e instalar barreiras de vidro ou acrílico nas carteiras s√£o capazes de reduzir os riscos.

Conduzida por cientistas da Universidade do Novo México (EUA), a simula√ß√£o considera uma sala com janelas e um sistema de ar-condicionado central, que filtra e faz a renova√ß√£o do ar – algo incomum no Brasil, onde se vê o sistema comum de refrigera√ß√£o. No modelo estudado, até a posi√ß√£o do aluno na classe tem influência na quantidade de partículas que ele recebe.

 

 

 

Em julho, a Organiza√ß√£o Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o risco de transmiss√£o do novo coronavírus pelo ar. Isso significa que, além do contato com superfícies contaminadas ou com gotículas de saliva, é possível ter contato com o vírus por partículas que ficam suspensas (os aerossóis) e podem ser carregadas por correntes de ar. Essas podem permanecer no ambiente por algumas horas, o que eleva a preocupa√ß√£o com lugares fechados. O papel da contamina√ß√£o por aerossóis no total de infec√ß√Ķes ainda n√£o est√° bem descrito.

Os pesquisadores fizeram a an√°lise considerando uma sala de aula de 81 metros quadrados de √°rea e 3 metros de altura. Pelo modelo, os alunos est√£o dispostos em três fileiras, com o professor à frente. Mesmo a uma dist√Ęncia de 2,4 metros entre os alunos (superior à adotada em escolas brasileiras), os especialistas verificaram que pode ocorrer o transporte de partículas de um estudante para outro, o que indica a necessidade de adapta√ß√£o das salas, uso de m√°scaras e higieniza√ß√£o das m√£os. "Mesmo com 9 estudantes na sala e 2,4 metros de dist√Ęncia entre eles, aerossóis s√£o transmitidos em quantidades significativas entre estudantes e de um estudante para a mesa de outro", indica o trabalho, publicado nesta ter√ßa na revista Physics of Fluids, do Instituto Americano de Física.

Partículas liberadas por um aluno podem ficar, por exemplo, sobre o caderno ou estojo de outro, o que, segundo os autores, eleva a necessidade de higieniza√ß√£o constante das m√£os, mesmo que n√£o se tenha tocado nos pertences dos colegas. O risco de contamina√ß√£o diminui se as janelas da sala de aula forem abertas De acordo com a simula√ß√£o computacional, abrir as janelas (mesmo com o ar-condicionado ligado) aumenta a fra√ß√£o de partículas que saem da sala em 38% em compara√ß√£o com o modelo de janelas fechadas. Também reduz a deposi√ß√£o de aerossóis nos estudantes em 80%.

J√° o uso de barreiras nas carteiras, como as telas de vidro ou de acrílico, pode ser ainda mais eficiente: elas n√£o s√£o capazes de "blindar" por completo os estudantes, mas chegam a reduzir em 92% a transmiss√£o de aerossóis de um mícron (milésima parte do milímetro). No modelo estudado – e considerando o sistema de ar-condicionado central da sala de aula – o aluno posicionado no meio da sala transmite mais partículas. J√° aqueles localizados nos cantos de tr√°s do espa√ßo seriam mais poupados dessas partículas.

Segundo os autores, essas informa√ß√Ķes podem ser levadas em considera√ß√£o na hora de planejar o posicionamento dos alunos. No modelo descrito, seria interessante, por exemplo, eliminar a posi√ß√£o do estudante do centro e colocar estudantes do grupo de risco nos cantos.

A pesquisa n√£o considerou, necessariamente, que os estudantes estivessem usando m√°scara, mas os resultados se aplicariam para ambos os cen√°rios, segundo os autores. "As m√°scaras têm duas principais fun√ß√Ķes: prendem algumas das partículas exaladas e potencialmente inal√°veis e diminuem a velocidade do ar exalado que contém partículas de aerossol. N√£o presumimos especificamente que os alunos estejam usando m√°scaras, mas isso n√£o afeta de forma significativa a aplicabilidade do estudo", explicou aoEstad√£oKhaled Talaat, do Departamento de Engenharia Nuclear da Universidade do Novo México (EUA).

Os pesquisadores afirmam ainda que mais estudos s√£o necess√°rios e os números obtidos se referem ao modelo de sala de aula considerado. No entanto, os resultados podem ser qualitativamente aplicados para outras salas de aula.

Brasil

Parte das escolas particulares de S√£o Paulo contratou a assessoria de hospitais para elaborar seus protocolos de retomada. E h√° uma indica√ß√£o geral de que as escolas desliguem o ar-condicionado e abram janelas e portas (Mais informa√ß√Ķes nesta p√°gina). Pesquisa da Confedera√ß√£o Nacional dos Municípios (CNM) indicou que 3.275 municípios brasileiros ainda n√£o veem condi√ß√Ķes sanit√°rias para retomar as aulas presenciais na rede b√°sica de ensino neste ano. O número equivale a 82% das prefeituras consultadas. Segundo o presidente da entidade, Glademir Aroldi, até mesmo o clima é considerado nessa decis√£o.

"Na flexibiliza√ß√£o de um bar, vai a um bar quem acha que pode ir Na escola, quando abrir, você faz com que os alunos acabem frequentando, permane√ßam por um período longo e voltem para a casa, convivam com pais, avós. É uma situa√ß√£o mais complexa. Em algumas regi√Ķes, precisa do ar-condicionado ligado o tempo todo", disse ele. As informa√ß√Ķes s√£o do jornalO Estado de S. Paulo.

Publicado primeiro em Banda B ¬Ľ Estudo indica como vírus se espalha em uma sala de aula

Fonte: Banda B

CEP

Coment√°rios