Vai dar certo

"Tudo resolvido: o presidente fica com a cadeira de vice da Câmara e eu fico com a minha consciência", diz Ramos

Por Mais Ceará em 24/05/2022 às 19:51:40

O deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM) afirmou nesta terça-feira, 24, que a sua destituição do cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados foi uma “decisão política” — uma nova eleição deve ocorrer na quarta-feira, 25. Crítico do presidente Jair Bolsonaro (PL), Ramos perdeu o posto ao trocar o PL, partido pelo qual foi eleito para a cadeira, pelo PSD, justamente por discordar do apoio ao atual mandatário do país. A nova eleição para a Mesa Diretora ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revogar liminar pedida pelo parlamentar para permanecer no cargo. Em pronunciamento no plenário da Casa, o parlamentar disse que não questionará o Judiciário, mas teceu críticas à condução do assunto por Arthur Lira (PP-AL), que, segundo Ramos, se curvou aos “caprichos” de Bolsonaro. “Os ideais e a honra de um homem não cabem em cargos. Aprendi a não me deixar mover por vaidade. Aprendi a me mover pelo que acredito, pela luta por Justiça e por democracia”, iniciou Ramos.

“Essa não é uma decisão regimental ou jurídica, é uma decisão política. Uma decisão política perigosa, porque atenta contra liberdade e autonomia deste poder. Quando o Executivo ataca a democracia, é perigoso. Quando o Legislativo consocia para atacá-la, é mortal”, apontou. Em seguida, o deputado justificou que não deixaria de lutar pelo Amazonas em segundo plano apenas pela manutenção do cargo de vice. “Escolhi cumprir a missão que o povo do Amazonas me deu. Entre o povo do Amazonas e Bolsonaro, entre o povo do Amazonas e a cadeira de vice, sou o povo do Amazonas”, declarou. “Por fim, quero dizer que não haverá da minha parte agressão ou confronto. […] Presidente Arthur Lira, o senhor não ganha um inimigo nem mesmo um adversário. Seguirei respeitando a vontade da maioria dos colegas que o legitima como presidente da Casa. O senhor continuará tendo aqui, embaixo no plenário, de onde nunca saí, um deputado para ajudar o Brasil, mas um deputado independente, que não se dobra aos caprichos de ninguém”, alfinetou. “Tudo resolvido: o presidente fica com a cadeira de vice da Câmara e eu fico com a minha consciência e meu compromisso com o Brasil e Amazonas”, finalizou.

Enquanto Ramos era aplaudido pelos colegas, Lira alfinetou a fala e a atitude do deputado. “A Presidência da Casa saúdam de maneira democrática, que nosso compromisso foi ouvir a todos os deputados e deputadas. Muito embora as decisões nem sempre saiam do agrado do destino, da subjetividade, das posições, mas a Presidência exige de mim que respeite a função. Eu nunca representei a mim mesmo nessa Casa, mas aos 513 deputados e deputadas. Em respeito a todos os senhores e senhoras, não reagirei a nenhum tipo de "lacrações palanqueiras", de celeumas de redes sociais. Seguirei em frente, sempre trabalhando pelo bem do nosso regimento”, respondeu Lira. Para o presidente da Câmara, a única decisão monocrática foi o pedido de “interferência” da Justiça Eleitoral, de forma monocrática, na mesa diretora.

Fonte: JP

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