Pintando o SeteAzul

O banimento da Associação Médica Brasileira - AMB e um breve histórico da Medicina Brasileiras nos últimos anos

Por Dr Edmar Fernandes

Por Mais Ceará em 22/04/2021 às 09:17:58

A minha intenção de escrever este texto é recordarmos médicos com mais de três anos de formação, e aos jovens médicos que não tiveram conhecimento dos anos difíceis compreendidos entre 2013 a 2018, em especial, conhecerem um pouco desta história atribulada que a classe médica, em nível nacional, vivenciou e como ela encontrou forças para se unir e lutar contra um inimigo comum que está se levantando dentro do mar do esquecimento: a esquerda liderada por partidos políticos como o Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido Socialismo e Liberdade(PSOL) e Partido Democrático Trabalhista (PDT) que agiram sobremaneira contra o REVALIDA, o ATO MÉDICO e, atualmente, contra a AUTONOMIA MÉDICA e tantos outros direitos e atribuições históricas da Classe Médica que foram massacradaspor estes partidos quando no poder. Neste texto, vou citar e relacionar a perseguição que os Médicos sofreram depois da ascensão do PT e aliados comunistas ao poder e como a atuação desta última gestão 21-23 presidida pelo Dr. César Fernandes-SP, francamente alinhado com estes partidos esquerdistas, acima mencionados, envergonha a história da Entidade e mancha a profissão Médica perante a sociedade quando são expostos na mídia, posicionamentos execráveis da nova gestão que é contra a Autonomia Médica como se representassemos Médicos Brasileiros.

A AMB já viveu momentos de glória em defesa da categoria médica e do exercício de uma Medicina de qualidade para a população. Nas gestões presididaspelo Dr. Florentino e Dr. Lincoln, acompanhei momentos desagradáveis que a Medicina Brasileirasofreu e estes tiveram a coragem e discernimento para trabalhar em favor dos Médicos Brasileiros e, consequentemente, de uma saúde de qualidade para a nossa população. Estava à frente do Sindicato dos Médicos do Ceará e pude participardos bastidores desta guerra vivida pelos Médicos,que assistiam sua profissão ser vilipendiada quando a esquerda estava no poder, sempre apoiando e agindo em prol da categoria.

Em 2013, o governo do PT implantou o Programa Mais Médicos (PMM) no Brasil, após uma série de atos contra o governo da Presidente Dilma (PT)como passeatas e protestos que tomavam contas das ruas das cidades brasileiras. Ele foi um dos grandes divisores de águas do apoio Médico ao governo, porque feria diretamente a atuação médica de qualidade para a população. Utilizaram de duas mentiras para justificar o projeto: levar Médicos aoslocais de difícil acesso à saúde, à população, e afirmavam que tinham poucos Médicos no país para este intento. Por que as inverdades? Primeiroporque a maioria dos Médicos, e quaisquer outros profissionais, preferem os grandes centros urbanos pelas melhores condições de vida, possibilidade de crescimento profissional, centros de estudos mais avançados o que não é encontrado nos rincões. Para isto, seria necessário investimento em infraestrutura, contratos de trabalhos mais atraentes e seguros como a proposta da Carreira Médica de Estado que está engavetada por manobras dos deputados federais do PT como o ex-Ministro da Saúde da Presidente Dilma, Alexandre Padilha. A proposta de Emenda à Constituição para implantação da Carreira Única de Médico de Estado foi apresentada em 2009, pelo então, Deputado Federal Ronaldo Caiado (DEM/GO) e era vista pelos Médicos com uma solução exequível para a fixação dos profissionais nos locais de mais difícil acesso à saúde em vez de formulações populistas e ideológicas que prejudicam a qualidade do atendimento da população mais carente. A proposta fixa um piso salarial para o Médico de Estado em todo o país, que deve ingressar na carreira por meio de concurso público e atuar em regime de dedicação exclusiva. Sobre a segunda invencionice: o Brasil tinha uma razão em 2013 de dois Médicos para cada 1000 habitantes (1) como, Japão, México, Coreia do Sul, Canadá, o dobro da média ideal recomendapela Organização Mundial da Saúde (OMS) que sugere no mínimo um para cada mil (2), mas ogrande golpe estava por vir.

Conseguiram disseminar a mentira da falta de Médicos e tinham uma carta na manga: abertura emergencial de emprego aos Médicos de todo o mundo para ajudar o povo brasileiro sem a revalidação do diploma que é um item obrigatório para qualquer profissão que exija qualificação profissional desenvolvida em centros universitários,de qualquer país do mundo incluindo o nosso. Com a aprovação na Câmara de Deputados e Senado, na época já afogados com os escândalos do mensalão(5) que garantiam a compra de votos do Executivo, somente apareceram nos aeroportos brasileiros intercambistas cubanos disfarçados de Médicos.

Nesta mesma ação, o governo Ptista decidiu abrir o número de faculdades de Medicina por todo o Brasilsem critérios. Vários bons colegas Médicos, foram formados nestas faculdades, mas esperava-se que fossem aperfeiçoadas as já existentes como as Universidades Federais e as Estaduais. O que se viu foi a utilização do Fundo do Financiamento Estudantil-FIES, que fora criado em 1976 com outro nome, para promover um maior aporte de pessoas com formação universitária sem o devido preparo do Ensino Básico e Fundamental. No entanto, as boas intensões foram travestidas de propagandas políticas de um governo que estava falido na tentativa de demonstrar para a população que eram capazes de aumentar, da noite para o dia, o número de Médicos em todo o Brasil a qualquer custo. Odespreparo e as más intenções do governo do PT já tinham deixado seu lastro de destruição na Medicina Brasileira. O ônus fiscal do Fies em 2016 chegou a R$ 32 bilhões, valor 15 vezes superior de 2011(6).

Em 2011, criaram o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (PROVAB) com intenção de estimular a presença dos Médicos em locais de maior vulnerabilidade e extrema pobreza(7). Ao final de um ano de trabalho, o Médico receberia pontuação adicional de 10% em provas para ingresso em programas de residência que poderiam ser utilizados por até cinco anos (alguns candidatos podem usar até 2023). A partir de 2015, começaram a aparecer os problemas. Como haviacada vez mais médicos se formando, a busca por uma vaga através do PROVAB começou a aumentar e o número de vagas era limitado. Começaram a ter denúncias dos Médicos da falta de critérios para entrada no programa. Ora, alguns entravam na justiça através dos Sindicatos ou com advogados particulares para garantir o ingresso, ora, os que conseguiam as vagas queriam os diretos garantidos de usufruir do benefício. O número de vagas disponíveis caía, cada vez mais, e explodiu o número de queixas quanto ao sistema adotado do PROVAB. Os poucos Médicos que conseguiam a vaga através do Programa, já chegavam com a vantagem de 10% nas provas de residência. Osestudantes de Medicina e os Médicos recém-formados estavam muito preocupados com o seu futuro, mas as más notícias não paravam de aparecer.

Quando os intercambistas cubanos (sem o Revalida)chegaram e ocuparam as vagas que seriam destinadas aos Médicos brasileiros no PMM, principalmente, os recém-formados, muitos Médicos que estavam alheios a estes problemas, acordaram e perceberam que não teriam emprego se não lutassem pelos seus direitos. Gradativamente, os Médicos entendiam a necessidade de se unir às Entidades Médicas, aos deputados federais para não permitirem que os desmandos da Presidente Dilma continuassem a ferir a dignidade médica. Não foi possível contar com a maioria dos deputados federais que votaram a favor do PMM aceitando a vinda de intercambista sem a Revalidação Médica. Notem que toda abertura de novas frentes detrabalho para os Médicos Brasileiros e para os que fazem o Revalida (maioria são brasileiros também) são bem-vindos.

O PMM que a princípio serviria para alocar Médicos nos lugares ermos, foi amplamente utilizado pelos prefeitos de inúmeras cidades (senão, todas) para economizarem com os Médicos contratados da cidade (8). Desta forma, na maioria destas cidades,os Médicos que já atuavam na atenção básica, há anos, foram demitidos para serem contratados os novos profissionais pagos pelo Governo Federal e, também, os intercambistas cubanos que recebiam 30% do valor pago das bolsas e 70% era enviado à ditadura cubana. Estima-se que foram expatriados mais de cinco bilhões de reais para a ilha do Ditador Comunista Fidel Castro. Estes intercambistas viviam como escravos já que seguiam as leis cubanas em território brasileiro, não tinham livre trânsito no nosso país (por determinação do seu governo) além de ser confiscado boa parte do seu dinheiro como supracitado. Tantos absurdos, tantas injustiças com os cansados Médicos Brasileiros, mas ainda tem mais!

Tentaram ampliar o tempo da formação médica de seis para oito anos e, pasmem, os dois últimos anos seriam uma residência médica obrigatória do SUS (9). O PMM pretendia ampliar, repentinamente, o número de residências médicas sem a busca pela qualidade. O CFM e a AMB e toda a classe médica sabiam, já em 2013, que somente 50% dos egressos das faculdades de Medicina conseguiam uma vaga na residência, mas das 12 mil vagas que eram ofertadas na época, meramente, 9 mil vagas eram preenchidas o que demonstrava que a questão era a necessidade de valorização de algumas áreas. Era intento ampliar a oferta de vagas de todas as especialidades mesmo sem os critérios mínimos como estruturas adequadas, Médicos capacitados e disponíveis para serem preceptores de um número colossal de residentes que emergiriam. Todos sabem das dificuldades apresentadas nas residências médicas em todo o Brasil: bolsas com remunerações indignas, estruturas sucateadas, falta de insumos para a realização de cirurgias, exames e tratamentos, falta de preceptores para o acompanhamento dos residentes e a carga horária excessiva sobrecarregando os Médicos residentes. Até os internos de Medicina são prejudicados por estas dificuldades. Agora, imaginem se tivessem quadruplicado o número de vagas para a residência sem um preparo adequado que requereria anos.Obviamente, a maioria significativa das especialidades médicas se levantaram contra estas improbidades e conseguiram derrubar esta proposta. A persistência do governo em adotar tais medidas demonstrando improviso para gerir a Saúde Brasileira foram o estopim para passeatas, reuniões e a grande insatisfação da Classe Médica. No entanto, a insensibilidade do governo Ptista com a causa médica não se restringiu a estas medidas e conseguiu criar uma grande ferida na Dignidade Médica pior ainda.

A Medicina apesar de ser milenar, ela não era regulamentada até 2013 no Brasil. Em 2002, iniciou o processo de elaboração da Lei do Ato Médico. Foram 11 anos de tramitação, 27 audiências públicas e centenas de reuniões. O documento aprovado no Senado em 18/06/13 em nada mudavado texto aprovado na Comissão de Assuntos Sociais(CAS) em 2006 com a participação de Entidades Médicas e de outras profissões, mas quando estava para ser sancionada pela então, Presidente Dilma, outras Entidades profissionais começaram a questionar o Ato Médico de forma traiçoeira. Estas outras categorias da saúde queriam dar diagnósticos de doenças que eram exclusividades dos Médicos.

O Ministro da Saúde, na época, Alexandre Padilha, Médico, fora consultado pela Senadora Lúcia Vânia por duas vezes: em dezembro de 2012 na CAS e no plenário do Senado em junho/2013 e não fez nenhuma oposição ou sugestão de modificação. O ministro foi negligente ou, pelo menos, omisso já que não se preocupou em entender o Projeto de Lei (PL)e deixar seguir a tramitação.

O comitê de Entidades Médicas que acompanhava este processo como a AMB, Conselho Federal de Medicina (CFM), Federação Nacional dos Médicos(FENAM), Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) observou que a Presidente utilizou três dias para avaliar e sancionar o projetosem os Médicos serem ouvidos. Vários vetos da Presidente feriram todo um trabalho construído para a regulamentação devida do trabalho médico. Mais uma vez, os Médicos eram menosprezados, mesmo após tanta labuta e responsabilidade em tratar osseus pacientes ao longo de toda a sua história. Os vetos da Lei do Ato Médico aliado a importação de "Médicos" sem a revalidação dos diplomas deixavam claro que a Presidente Dilma Rousseff e o Ministro Alexandre Padilha (PT), pretendiam que os brasileiros enfermos, no SUS, fossem atendidos por qualquer pessoa sem a devida qualificaçãodesprezando os Médicos Brasileiros. Restava que o Congresso Nacional derrubasse os vetos, o que não aconteceu apesar das caravanas de Médicos de todo o Brasil, principalmente, do Ceará, para pressionar os deputados federais e senadores. Infelizmente, a Medicina Brasileira não tem uma bancada política. Posteriormente, foi iniciada uma campanha para a criação de uma Frente Parlamentar da Medicina com o intuito de termos representantes políticos que defendessem a nossa causa. Os protestos ficavam cada vez mais calorosos e uma grande união foi estabelecida entre os Médicos e os estudantes de Medicina, que já participavam dos atos de repulsa, contra o Governo Federal. Foi uma grande traição sofrida pela classe médica, mas o Governo do PT e aliados ainda podiam piorar a nossa situação.

Em 2020, o mundo foi acometido por uma grave doença que ceifou a vida de muitas pessoas e de muitos colegas médicos: COVID-19 ocasionado pelo SARS-CoV-2. Estima-se que 25% dos contaminados com o Coronavírus são profissionais da saúde (13). Já em maio de 2020, 113 Médicos tinham falecido por esta causa desde o primeiro óbito registrado no dia 17 de março do mesmo ano, quase dois profissionais por dia (10). Em 8 de fevereiro de 2021, 624 Médicos falecidos era o que mostrava um memorial desenvolvido pelo CFM em homenagem aos colegas que padeceram até então (11). Nenhum antiviral conseguia curar ou amenizar os efeitos da doença. Começaram a discutir protocolos em todo o mundo para tentar controlar esta doença. Ensaios clínicos começavam a utilizar os mais diversos medicamentos já existentes para tentar conter a virulência. Uma das estratégias era testar drogas já aprovadas pela ANVISA e FDA, dos Estados Unidos, que já passaram por séries de testes rigorosos que justificassem utilizar as drogas em seres humanos. Um estudo francês apresentou alguns achados quando se utilizava a Hidroxicloroquina ou a Hidroxicloroquina associado à Azitromicina para o tratamento da COVID-19 (14). A partir daí diversos trabalhos em todo o mundo, utilizaram estas drogas para avaliar a sua eficácia. No Ceará, O Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) desenvolveu uma proposta de protocolo para tratamento da COVID-19. As diretrizes foram enviadas, primeiramente, ao Sindicato dos Médicos do Ceará em 13.05.2020. Por sua vez, o Sindicato dos Médicos do Ceará encaminhou para a apreciação das autoridades competentes, como o Conselho Regional de Medicina do Ceará (CREMEC-CE), a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA), a Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS) e o Ministério da Saúde (MS).Neste estudo, assinado por grandes cientistas, Médicos e Infectologistas sugeria um protocolo com Hidroxicloroquina, Azitromicina, Ivermectina, Sulfato de Zinco e tecendo considerações sobre o uso Corticoides e Anticoagulantes em algumas fases da doença (15).

Muitos Médicos Brasileiros, adotaram a medicação nos primeiros dias dos sintomas da doença na tentativa de diminuir a progressão da doença para a forma grave já que não se dispunha de qualquer tratamento. Por outro lado, outros colegas Médicos não se sentiam à vontade de utilizar as mesmas medicações e, até hoje, não a prescrevem - isto é denominado Autonomia Médica e é defendido pela maioria esmagadora da Categoria Médica. Também é defendido pelos Médicos a Autonomia do paciente de decidir se irá ou não seguir a prescrição médica.Este posicionamento tem sido defendido pelo CFM de forma exemplar, cito algumas declarações da nossa Entidade Médica maior: "O ponto fundamental que embasa o posicionamento do CFM é o respeito absoluto à autonomia do Médico na ponta de tratar, como julgar mais conveniente, seu paciente; assim como a autonomia do paciente de querer ou não, ser tratado pela forma proposta pelo Médico assistente" e conclui com a seguinte afirmação em um artigo publicado no dia 27.01.21: "Deve ser lembrado que a autonomia do Médico e do paciente são garantias constitucionais, invioláveis, que não podem ser desrespeitadas no caso de doença sem tratamento farmacológico reconhecido - como é o caso da COVID-19 -, tendo respaldo na Declaração Universal dos Direitos do Homem, além do reconhecimento pelas competências legais do CFM, que permite o uso de medicações "off label" (fora da bula)" (16). No Parecer nº 4/2020 o de abril do ano passado o CFM já explicava que a Cloroquina e a Hidroxicloroquina poderiam ser usados com parcimônia, em caráter temporário, desde que não se apresentassem outros tratamentos mais eficazes respeitando a Autonomia Médica e na valorização da relação Médico-Pacientecom o objetivo de oferecer ao doente o melhor tratamento médico disponível no momento, não cometendo infração ética o Médico que utilizar Cloroquina e Hidroxicloroquina nos termos referidos no parecer referido.

Por sua vez, a AMB, presidida pelo Dr. César Fernandes, divulgou uma nota na contramão da Medicina Brasileira, contra o posicionamento de várias Entidades, passando o constrangimento de ser desmentida publicamente (17). No dia 19.01.21 ela já utilizava palavras de cunho popular e pejorativo como "negacionista" referindo aos Médicos que estivessem a usar os medicamentos do chamado tratamento precoce e, ainda, sugerindo que os Médicos poderiam ser contra outras formas de prevenção como a vacinação. Neste momento, percebeu-se que o linguajar indevido que esta Entidade estava utilizando era o mesmo dos partidos políticos que fazem oposição sumária contra o Presidente da República como o PT, PSOL, PSDB, PC do B e PDT. O alinhamento da atual AMB com aesquerda fere toda a luta da Classe Médica nestes últimos anos colocando a política acima dos preceitos éticos.

Ainda não satisfeita, a AMB emite o boletim 02/21 em 23 de março de 2021 (18) que causou repulsa da Classe Médica e foi utilizada exaustivamente por mídias como O Globo e Jornal Nacional para atacar a Classe Médica, em especial, em dois quesitos, 7 e 8, que ferem a Autonomia Médica, segue os dois artigos: "7. Reafirmamos que, infelizmente, medicações como Hidroxicloroquina/Cloroquina, Ivermectina, Nitazoxanida, Azitromicina e Colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da COVID-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas desta doença, sendo que, portanto, a utilização destes fármacos deve ser banida; 8. Aos Médicos, reafirmamos que o uso de Corticoides e Anticoagulantes devem ser reservados,exclusivamente, para pacientes hospitalizados e que precisem de oxigênio suplementar, não devendo ser prescritos na COVID-19 leve, conforme diversas diretrizes científicas nacionais e internacionais. Aos pacientes com suspeita ou com COVID-19confirmada, alertamos que não se automediquem, em especial, não utilizem Corticoides (Dexametasona, Prednisona e outros); estes fármacos utilizados fora do período correto, especialmente, no início dos sintomas, podem piorar a evolução da doença. Procure atendimento médico em uma Unidade Básica de Saúde dando preferência, se possível, à telemedicina, se apresentar sintomas leves, como dor de garganta, tosse, dor no corpo, náuseas, perda de apetite, perda do olfato ou paladar. Porém, se apresentar manifestações clínicas que podem representar COVID grave, respiração rápida (mais que 30 movimentos respiratórios por minuto), saturação de oxigênio menor que 94% ou febre persistente por 3 dias ou mais, procure uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ou Serviço de Emergência".

Imediatamente, diversas Entidades Médicas vieram a público para criticar e repudiar o boletim da AMB, principalmente, sobre o pedido de banimento de medicamentos relacionados ao tratamento precoce e o item que condena a prescrição de Corticoides e Anticoagulantes em casos leves da doença. A AMB que é formada por 27 Associações Federadas e 55 Sociedades de Especialidades, irresponsavelmente, inseriu o nome de todas as Instituições como se tivessem anuência do conteúdo do documento de todas elas. Abaixo, o posicionamento de algumas das Entidades contra o referido boletim:

A Associação Médica de Minas Gerais (AMMG) veio a público do CFM em defesa da Autonomia Médica (19).

A SBOT - Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia veio a público reafirmar seu apoio irrestrito às resoluções do Conselho Federal de Medicina que garantem ao médico o direito à prescrição (20).

A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e aAssociação Médica de Brasília (AMBr) membros do CEM COVID_AMB não concorda com os itens 7 e 8 do boletim 02/2021 emitido pelo comitê.

A Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA)comunicou aos seus associados seu afastamento do Comitê Extraordinário de Monitoramento COVID-19 (CEM COVID_AMB) em "virtude daextemporaneidade de algumas proposições que conflitam como os princípios propostos da SBA".

A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial (ABORLCCF) pediu para retirar o apoio da Associação ao boletim.

A Associação Médica do Rio Grande do Norte (AMRN) referiu que não concordava com os itens 7 e 8 e pediu para retirar o apoio ao boletim.

A Associação Médica de Goiás - AMG pediu para retirar o apoio ao boletim e solicitou que ao proceder a divulgação do nome da Associação que fosse antes consultada.

ANADEM (Sociedade Brasileira de Direito Médico eBioética) demonstrou apoio ao CFM e apoio irrestrito à Autonomia Médica contrária ao conteúdo do boletim.

A Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE) discorda dos itens 7 por politizar a discussão sem necessidade e o item 8, também, polêmico.Explicou os bastidores da confecção do documento: "Quando o assunto ainda estava em debate, a nota original foi divulgada, sem as alterações sugeridas, junto à imprensa com a assinatura da CIPE e de outras sociedades de especialidade e federadas da AMB que não concordaram com o teor da nota (...). Logo em seguida, a AMB publicou em seu Site a nota oficial, com o mesmo conteúdo, apenas sem as assinaturas das Entidades que não aprovaram o documento, e das federadas, a única que aprovou foi a Associação Paulista de Medicina. O documento foi publicado no Site da AMB com 16 assinaturas, das quais duas eram da própria AMB, uma da APM e apenas 13 das sociedades de especialidade".

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) demonstrou insatisfação por não ter sidodevidamente ouvida e pediu para retirar o apoio ao boletim.

A Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) refere que nem chegou a ser consultada sobre o conteúdo do boletim. Cita o caso como um "posicionamento equivocado tomado por uma minoria que não representa o entendimento da maioria dos Médicos" (21).

Posteriormente, A AMB publicou uma nota em seu Site, porém, com assinatura de apenas 16 nomes, em vez de 80, inicialmente. No dia 25 março, em matéria do G1, explica o motivo de ter aconselhado o banimento das medicações mesmo após as manifestações de diversas Entidades Médicas e mente ao afirmar que "depois, os Médicos descobriram que a Hidroxicloroquina e os outros remédios não funcionavam" teriam parado de prescrever os medicamentos (22). No AMB na mídia,do dia 30 de março, divulgou como se fosse um mérito para a gestão da AMB, uma matéria do Fantástico que teria utilizado o boletim depreciativo 2/2021 para fazer uma matéria chamada "Influencers do Crime" em vez de denunciar colocando a população contra a Classe Médica (23).

As ações da gestão 21-23 da AMB presidida pelo Dr.César Fernandes constrangem a categoria médica. Uma série de ações nocivas à Dignidade Médica. Espero que o Presidente e a Diretoria da atual gestão evitem, a partir de agora, tomar decisões de cunho político prejudicando e desonrando todo o sacrifício e honradez da Classe Médica e passe a se pautar em ajudar a defender os mais de 500 milMédicos Brasileiros em todas as suas instâncias ao lado do CFM, federadas, sociedades de especialidades e o Sindicato dos Médicos do Ceará.


(13)

https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-03/covid-19-pesquisa-revela-impactos-em-95-dos-profissionais-de-saude

(14) Gautret et al. (2020) Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID?19: results of an open?label non?randomized clinical trial. International Journal of Antimicrobial Agents - In Press 17 March 2020 - DOI: 10.1016/j.ijantimicag.2020.105949

(21)

https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/entidades-medicas-desaprovam-nota-associacao-que-pede-banimento-do-tratamento-precoce-nota-associacao-banimento-tratamento-precoce/



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